quarta-feira, novembro 16, 2005

UM POUCO DA HISTÓRIA DE DUQUE DE CAXIAS, CIDADE ONDE VIVO E TRABALHO


Casa grande da antiga Fazenda de São Bento, no 2º Distrito, construída anexa à Capela entre 1754 e 1757. Ambas são tombadas pelo Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (SPHAN)

► O Município de Duque de Caxias - criado em 31 de dezembro de 1943 pelo Decreto-Lei nº 1055 - cujo Brasão e a Bandeira foram instituídas em dezembro de 1966, ocupa uma área de 465,7 quilômetros quadrados, correspondente a 6,8% da área da Região Metropolitana e a 35% da área da Baixada Fluminense. Faz divisa com os Municípios de Belford Roxo, Magé, Miguel Pereira, Nova Iguaçu, Petrópolis, Rio de Janeiro e São João de Meriti. Possui quatro Distritos (Centro, Jardim Primavera, Imbariê e Xerém).
O município abrigou durante muitos anos a Fábrica Nacional de Motores (FNM), a primeira da América Latina a fabricar motores para aviação civil e militar. Abriga ainda a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), inaugurada pelo Presidente Juscelino Kubstcheck e que começou a produzir em 9 de setembro de 1961. O Município é hoje um dos maiores pólos industriais do Estado do Rio de Janeiro, situando-se no ranking nacional como o 6° PIB (Produto Interno Bruto) do País. A cidade foi considerada “Área de Segurança Nacional” pelo regime militar entre 1971 e 1985. A população, segundo dados do IBGE, era de 715 mil habitantes em 1996 e 770.858 em 2000. A cidade abriga mais de 12 mil estabelecimentos comerciais e 2.000 indústrias.
O município de Duque de Caxias está transformando-se em um núcleo gerador da indústria de transformação, com a inauguração, no dia 23 de junho último, do Pólo-Gás Químico, cuja construção começou em 2000 com investimentos na ordem de US$ 1,1 bilhão pela iniciativa privada e incentivos fiscais de US$ 400 milhões pelo Governo do Estado (US$ 100 milhões na construção e US$ 300 milhões na operação). O pólo vai produzir por ano 540 mil toneladas de polietileno, matéria-prima a partir do gás natural usada na fabricação de plástico. Dezenas de empresas já se instalaram ao seu redor. O projeto do pólo é considerado inovador no Brasil, já que usa frações de etano e propano, provenientes do gás natural da Bacia de Campos, como matéria-prima para a produção de polietileno, enquanto os já existentes na Bahia, no Rio Grande do Sul e em São Paulo usam a nafta, que é um produto importado, derivado do petróleo, como base. Com isso, o orçamento da Prefeitura deverá receber uma injeção anual de cerca de R$ 200 milhões.
Os pontos extremos do município são definidos ao norte pelo alto da Pedra Riscada, na Serra da Estrela, ao sul pela foz do rio Meriti, a leste pela confluência do rio Imbariê com o rio Estrela, e a oeste pela confluência do ribeirão das Piabas com o rio Otum. O Município situa-se a 19 metros do nível do mar, sendo que cerca de 65% de seu território é constituído por planície, que se estende desde o rio Meriti até o rio Estrela, a partir da orla da baía de Guanabara até a base da serra do Mar. Aí estão contidas grandes áreas alagadiças resultantes do assoreamento dos cursos d’água que cortam estas terras baixas, como os rios Sarapuí, Iguaçu e Meriti, além de outros de importância mais restrita, como os rios Capivarí, Tinguá, Pilar, Saracuruna e Estrela. O clima é úmido, típico da baixada litorânea tropical quente, sendo mais ameno nas áreas mais montanhosas.
O povoamento da área que hoje constitui o município iniciou-se em 1566, em terras doadas a Martin Afonso de Souza, após a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. Os primeiros colonos fixaram-se nos vales dos rios Sarapuí, Meriti, Iguaçú e Estrela, e nas terras situadas entre o mar e a orla das serras. Em todo o período colonial desenvolveram-se fazendas, engenhos e cultivos nas terras muito férteis geradas pelo humus das florestas.
Entre os anos de 1779 e 1789 foram formadas as "Freguesias" da Capitania do Rio de Janeiro, que eram organizações políticas que floresceram desde o período colonial até o início da república e que indicavam que um povoado estava pronto a constituir-se município.
Em 1886 foi inaugurado o trecho ferroviário da "The Rio de Janeiro Northern Railway", ligando a cidade do Rio de Janeiro à estação de Meriti, estação esta que originou o povoado que seria o embrião do atual município de Duque de Caxias. Nessa época o povoado de Meriti era apenas um centro de escoamento de umas poucas propriedades rurais semi-abandonadas, cujos colonos, lutando contra a malária, se dedicavam ao fabrico de carvão e à extração de lenha. Com a expansão da epidemia de malária e a assinatura da Lei Áurea, em 1888, houve um abandono da mão de obra negra das fazendas e engenhos de cana.
O combate às doenças endêmicas, as obras de saneamento, com desobstrução de rios e abertura de canais, contribuíram para reversão deste quadro e a abertura da Rodovia Rio-Petrópolis, em, 1928 estimulou ainda mais o crescimento do povoado de Meriti. Em 1931 foi criado o Distrito de Caxias, com sede no povoado gerado pela antiga estação Meriti, e formado com uma parcela do território desmembrado do Distrito de Meriti.
O ponto mais alto da cidade é o pico do Couto, com 1.364 metros de altitude. Por ele passava o “Caminho de Garcia Paes”, também chamado de “Caminho do Couto”, nas proximidades da divisa com Petrópolis e Miguel Pereira. Boa parte desse caminho passa pela Reserva Biológica de Tinguá, a Rebio-Tinguá.
Duque de Caxias está a 19 quilômetros quilômetros da cidade do Rio de Janeiro (Estação Barão de Mauá),m 23 quilômetros da Esplanada do Castelo, e 22 da Praça Mauá sendo a cidade da Baixada Fluminense mais próxima da Capital. Está localizada a 49 quilômetros de Petrópolis e a 34 quilômetros de Niterói, via Ponte Presidente Castelo Branco.
Na região de Xerém, no 4° Distrito da cidade, existem várias pousadas e clubes onde viajantes podem pernoitar. A Fazenda São Bento, segundo a Igreja Católica, dispõe de acomodações.
Em Xerém, no Caminho do Pilar, encontramos as ruínas da Igreja de Santa Rita da Posse, fundada em 1766 e localizada ao pé de uma colina, na estrada da Igreja Velha nº 3, antiga Estrada Real para as Minas, bairro Santa Alice. No Caminho de Garcia Paes encontramos ainda a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, cuja primeira ermida foi construída em 1612 em louvor a Nossa Senhora das Neves, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1938, e a de Nossa Senhora do Rosário (São Bento), dedicada inicialmente a Nossa Senhora das Candeias, construída entre 1645 e 1648 pelos primeiros monges beneditinos que chegaram ao Brasil por volta de 1560. Esta é localizada na Fazenda de mesmo nome, a mais antiga do Município. Encontramos ainda em Xerém manifestações culturais diversas, como Capoeira e Folias de Reis, e resquícios do Bumba-Meu-Boi. Próximas às Igrejas, são encontrados sítios arqueológicos.
Na variante que liga Pilar a Estrela, a chamada Estrada da Taquara, encontramos o Museu Histórico Duque de Caixas, na Fazenda São Paulo, onde nasceu o Patrono do Município, Marechal Luiz Alves de Lima e Silva, em 25 de agosto de 1803, e o Parque Natural da Taquara.
A cidade serve, desde a década de 40, como cenário para grandes produções do cinema Nacional, destacando-se obras como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha; “Assalto ao Trem Pagador“, de Reginaldo Farias; “O Amuleto de Ogum”, de Nelson Pereira dos Santos; “O Homem da Capa Preta”, de Sérgio Rezende; “Quilombo”, de Cacá Diegues; “Villa Lobos, Uma história de Paixão”, de Zelito Viana; e “O Veneno da Madrugada”, de Ruy Guerra.
O hino “Exaltação à Cidade de Duque de Caxias”, de Francisco Barboza Leite, segundo historiadores, foi executado na cidade, pela primeira vez, pelo Coral José Maurício e sob regência do maestro Plínio Armando Baptista, por ocasião da realização do “Primeiro Encontro dos Trabalhadores de Duque de Caxias”, nos anos 60, no Teatro do SESI, evento que contou com a presença de Leonel Brizola.

(Pesquisa e texto organizados por Lilian Costa dos Santos para o Núcleo de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, em setembro de 2005)

FONTES DE PESQUISA:
Livros
- Cidade de Duque de Caxias (José Lustosa, publicação independente, 1958)
- Esboço Histórico Geográfico do Município de Duque de Caxias (Dalva Lazaroni de Moraes, Arsgráfica Editora, 1978)
- Pelos Caminhos que a História Deixou (Stélio Lacerda e Rogério Torres, publicação independente, 2004)
Revista
- Revista da Cultura Caxiense (Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, Edições 2, 4, 7 e 8)
Jornal
- O Municipal (Coluna Pedaços da Nossa História, Alberto Marques e Josué Cardoso), publicadas semanalmente desde setembro de 2002
Sites
- Governo do Estado do Rio de Janeiro (www.imprensa.rj.gov.br)
- Prefeitura Municipal de Duque de Caxias (www.duquedecaixas.rj.gov.br)

terça-feira, novembro 15, 2005

PATRIMÔNIO HISTÓRICO

APRESENTAÇÃO
► O Patrimônio Histórico Cultural de Duque de Caxias é de valor incalculável. E é graças a ele que podemos visualizar a relevância que a Baixada Fluminense teve para o desenvolvimento do Brasil no período colonial. A valorização desse patrimônio, que carrega consigo a história da civilização humana, sua memória e identidade, é fundamental em qualquer gestão pública.
O patrimônio cultural é um componente vital de todo processo civilizatório. Uma cidade que preserva seu patrimônio dá uma grande contribuição para o cidadão enfrentar o futuro, especialmente às pessoas que ainda não absorveram a frieza das chamadas “cidades modernas”, em uma era de globalização e de tecnologias de ponta.

À medida que pesquisamos acontecimentos do passado da nossa região, visualizamos a importância que a mesma teve para o desenvolvimento do País. Por outro lado, se nos fixarmos no aspecto da preservação dos bens físicos, a falta de atenção do Poder Público como agente político e catalizador, é notória ao longo da história. Se formos mais além, constataremos também que as fontes que contribuíram para a nossa formação cultural também carecem de atenção.

É preciso enxergar as várias obras, algumas delas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo valor arquitetônico, histórico e artístico. Por isso, não se pode deixar de enfatizar o patrimônio inserido em nossa cidade, para que muitos que ainda não tiveram essa oportunidade, possam conhecê-lo e compreender sua importância na História do Brasil e na nossa vida. Não podemos perder de vista o compromisso de preservarmos nossa identidade cultural. Afinal, quem não tem memória, não tem presente e, sem presente, não há futuro.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO PILAR
► A freguesia de Nossa Senhora do Pilar é uma das mais antigas do Recôncavo da Guanabara. A origem da Igreja de Nossa Senhora do Pilar está em uma ermida construída em 1612, em louvor a Nossa Senhora das Neves, pelos descendentes de Gaspar Sardinha, que ganhara grande lote de terra em 1571, por onde passava o “Caminho de Garcia Paes”, que levavam à região aurífera de Minas Gerais. Em 1696, foi transformada em Paróquia Encomendada pelo bispo do Rio de Janeiro, Dom José de Barros Alarcão.

O território da Paróquia possuía três capelas: Nossa Senhora do Rosário, na fazenda de mesmo nome, próximo ao Rio Saracuruna, fundada em 1730; Santa Rita, fundada em 1766 no lugar chamado de Taquarussú, e Nossa Senhora das Neves.

Ponto de referência para o começo do “Caminho Novo das Minas”, aberto por Garcia Pais e próximo à povoação de “Nossa Senhora do Caminho Velho”, Pilar conheceu grandes momentos de opulência econômica com a criação de um porto do mesmo nome. Afluente do rio Iguaçu, o rio Pilar recebia e despachava embarcações que, saindo do Rio de Janeiro, recortavam o litoral de Iguaçu, cerca de 33 quilômetros acima da foz deste rio, até a vila de mesmo nome.
A Igreja possui cinco altares - o altar-mor erigido à padroeira Nossa Senhora do Pilar de Iguaçu, e os nichos dedicados à Santana, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Conceição e a São Miguel Arcanjo. Todas são formadas em madeira talhada com filetes de ouro e as imagens encontram-se desaparecidas.

Localizada na BR 040, KM 26, Estrada Rio Petrópolis, 3° Distrito, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar é tombada pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) desde 1938.

CATEDRAL DE SANTO ANTONIO
► A primeira Igreja Matriz da Paróquia de Santo Antônio foi inaugurada em 13 de junho de 1939. O Frei Leandro Novak chegara aqui um ano antes, comprando por 30 contos de réis um terreno onde ergueu residência, ao lado da futura igreja, no alto da atual Rua Barão do Triunfo, no bairro 25 de Agosto. A Igreja recebeu seu primeiro vigário, Frei Alípio Both, que sucedeu Frei Leandro. Posteriormente, uma nova Igreja foi erguida onde hoje está instalado o Colégio São Francisco de Assis, na Rua Tenente José Dias.

Com a aquisição de um terreno à margem da estrada Rio-Petrópolis, atual Avenida Presidente Kennedy, Frei Joaquim Orth dava início, em 1952, às obras da nova Igreja de Santo Antônio, tendo prosseguimento com Frei Teodoro Zimermann, ajudado por grandes campanhas promovidas pelas Irmãs Franciscanas de Dilling (Colégio Santo Antônio). Festas acompanhadas de leilões eram realizadas pelos paroquianos, com doações para vitrais e bancos, por famílias e comerciantes locais.

A visita a esse convento feita por Frei Egberto Prangemberg durante sua construção trouxe surpresa, “com o grande ofertório oferecido pelo povo: desde o tabernáculo, conduzido por um casal, até paramentos completos para os padres, e roupas e calçados para os coroinhas e todos objetos do altar necessários às celebrações”.

Com uma grande festa acompanhada pela comunidade, Frei Teodoro inaugurou no dia 7 de setembro de 1959, a nova Igreja Matriz de Santo Antonio, sendo eleito seu primeiro vigário Frei Antônio Tadeu Hoeninghausen, que ultimou os trabalhos da parte externa da Matriz, construindo o salão paroquial e várias capelas na paróquia. O prédio pertenceu à Diocese de Barra do Piraí e posteriormente à de Petrópolis. Em 12 de junho de 1981, foi instalada ali a sede da nova Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti, entregue à orientação e direção de Dom Mauro Morelli, que foi Bispo Diocesano até o início deste ano de 2005, substituído por Dom José Francisco Resende Dias.

FAZENDA SÃO BENTO
► Marco inicial da colonização no Vale do Rio Iguaçu, a fazenda São Bento originou-se nas terras doadas pela Marquesa Ferreira ao mosteiro de São Bento em 1591. A herdeira era viúva de Cristóvão Monteiro, primeiro proprietário das sesmarias ofertadas por Estácio de Sá no ano de 1565 em terras hoje pertencentes ao Município de Duque de Caxias. Nesse local, os Monges Beneditinos fizeram erguer inicialmente uma capela dedicada a Nossa Senhora das Candeias.


No século XVIII, as terras passaram para as mãos da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A data da fundação da Igreja localizada na área da Fazenda - a maior e mais antiga do Município - não é precisa. Sabe-se, porém, que foi erguida entre 1645 e 1648 pelos primeiros monges beneditinos que chegaram ao Brasil por volta de 1560. A Igreja recebeu antes os nomes de Nossa Senhora da Purificação, Candelária ou Candeia. Com a criação da Irmandade do Rosário dos Pretos, passou a ser denominada Nossa Senhora do Rosário de Iguaçu. Mesmo com essa denominação, é identificada como Igreja de São Bento.

O primeiro engenho data de 1611 e a casa grande foi construída anexa à capela, entre 1754 e 1757. O convento serviu para abrigar padres em descanso ou afastados do sacerdócio. Era também sede de grande fazenda de São Bento, cuja atividade econômica baseava-se na produção de farinha de mandioca e na fabricação de tijolos, ladrilhos e telhas.

O saudoso professor Ruy Afrânio, escreveu certa vez: “A importância religiosa, cultural e, por que não dizer econômica, que representou a Fazenda e Mosteiro de São Bento, para a Baixada Fluminense, torna-se aos nossos olhos e sentimentos pátrios, um crime extremamente trágico e hediondo ao patrimônio e à memória do povo da Região. Esta obra monumental, ao lado de outras que se foram, com certeza há de ficar na nossa consciência e daquelas que hão de vir como uma lembrança do pouco caso que temos para com os nossos antepassados”.

A casa e capela da antiga Fazenda de São Bento foram tombadas pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) em 1957. Nos anos 80, foram restauradas pela Fundação Roberto Marinho, IPHAN e Fundação Pró-Memória. As obras, no entanto, não recuperaram os cinco altares.

FAZENDA SÃO PAULO
► O Museu Histórico Duque de Caxias foi construído nas terras dessa Fazenda. Nos primórdios do século passado, essas terras pertenciam ao coronel Luiz Alves de Freitas Belo, avô materno do futuro Duque de Caxias. A sede da Fazenda dava frente com o caminho da Taquara. Esse caminho de traçado – hoje denominado Av. Automóvel Clube – extremamente sinuoso, sempre buscando os pés do morro e fugindo dos lugares mais baixos e alagadiços, ligava duas importantes vilas portuárias de comércio: Pilar e Estrela.

O casarão possuía um só pavimento. Tinha uma capela na extremidade esquerda. Erguida no chapadão de um outeiro, podia ser facilmente localizada mesmo à distância. Para realçar sua imponência, uma dúzia de palmeiras imperiais, rigorosamente alinhadas, se alteavam defronte ao seu terreiro. Era intenso o trânsito de cavaleiros e tropas de burros carregados em frente à porta da fazenda.

Ali cultivava-se milho, cana-de-açúcar, mandioca, feijão, frutas, legumes e outros produtos agrícolas de subsistência. O café estava começando a florescer e assim uma parte da colheita era destinada ao consumo doméstico. O restante era escoado pelo concorrido Porto da Estrela.
Além das terras cultivadas, a Fazenda São Paulo possuía uma exuberante mata nativa, separada por um riacho cristalino. A caça abundante, muitas vezes enriquecia as ceias com os deliciosos assados de paca, capivara ou outro animal da outrora rica fauna local. Abrangendo até onde as vistas alcançavam, o imenso latifúndio do coronel Freitas Belo está hoje reduzido aos limites do Parque Duque de Caxias, na Taquara.

IGREJA SANTA TEREZINHA (ex-SÃO JOÃO BAPTISTA DE TRAIRAPONGA)
► A Cruz de Cristo foi erguida em 1645 no povoado que surgiu na localidade que tomou o nome de São João Batista de Trairaponga (antigo topônimo do 1º Distrito de Duque de Caxias). D. João IV, em alvará de 10 de fevereiro de 1647, reconhecendo o esforço dos moradores de Trairaponga que a construíram em madeira, com despesas da Real Fazenda e à custas deles, transforma a rude capela em Igreja e sede da Freguesia. A pequena Igreja serviu como sede da matriz até 1660.

Com o prédio arruinado, construiu-se novo templo, edificado em “pedra e cal”, em um outeiro de frente para a Baía de Guanabara. O acesso era feito de barco, através do Rio Caboclos. Passados os anos, a Igreja deixou de ser sede de Freguesia, sendo transferido o núcleo social e religioso para a zona portuária, do rio Meriti, edificada em 1708. A nova Igreja foi dedicada à Nossa Senhora da Conceição.

Em 1747, às margens do rio Meriti, foi construída nova Igreja, alterando-se sua denominação para Freguesia de São Batista de Meriti. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a impiedosa ação do tempo destruiu a Igreja de Trairaponga, que acabou desabando, e seu Orago transferido para a atual Igreja da Matriz de São João de Meriti. No século passado, terminado em 2000, recebeu várias reformas, ganhando inclusive um novo Orago, o de Santa Terezinha do Menino Jesus. Suas terras foram ocupadas por intenso processo de loteamento.

CAPELA DE SANTA RITA DA POSSE (Igreja Velha de Xerém)
►Hoje em ruínas, foi erguida em terra pertencente o Capitão-Mor Francisco Gomes Ribeiro, Senhor da Fazenda e Engenho da Posse e também administrador do Oratório de Santo Antônio da Posse. A Igreja é confundida como sendo a de São Pedro. Isso ocorre porque foi construída, ao seu lado, uma outra com esse nome.

A fundação da Igreja de Santa Rita da Posse data de 1766 e sua construção durou cerca de dois anos. Tem tipologia de arquitetura Barroca, cujo arquiteto ou construtor é desconhecido. Está localizada ao pé de uma colina, na estrada da Igreja Velha nº 3, antiga Estrada Real para as Minas, bairro Santa Alice. Antes de receber o nome de Santa Rita da Posse, quando ainda era apenas capela, chama-se oratório de Santo Antonio e destacava-se na fabricação de açúcar e aguardente para abastecer o Rio de Janeiro e Portugal.

Pesquisas dão conta que trata-se de uma construção estilo barroco, simples e bela. Na sua construção foram utilizadas cantaria com areia, óleo de baleia e cal, esta produzida por conchas de moluscos, moídas e queimadas. Pertencia à Fazenda da Posse, que deu origem ao seu nome. Possuía uma área construída de cerca de 100m2, estando sua edificação inserida em área livre de aproximadamente 250m2. O adro aproveita o desnível do terreno co a estrada e o seu acesso é por escadaria. O seu frontispício (fachada principal)não pode se visto,por não existir mais, tendo sido totalmente arruinado.

As paredes do templo possuem 30 a 40 cm de largura,do tipo autoportante (sustentam a si mesmas), rebocadas com argamassa de cal e areia fina e caiadas de cor branca. As imagens do altar eram “perfeitíssimas”: a de Santo Antonio de Lisboa, em madeira entalhada e policromada, e de Santa Rita de cássia da Posse, também em madeira entalhada, policromada e dourada.

No início do século XVIII, por ela passava um dos caminhos do ouro, o de Garcia Paes. Um dos seus primeiros proprietários foi Afonso Ribeiro de Avelar,membro de uma importante família da região de Vassouras.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (Igreja de Xerém)
► Foi construída na década de 40 para atender aos trabalhadores da antiga Fábrica Nacional de Motores (FNM), indústria que propiciou grande desenvolvimento ao Município de Duque de Caxias na época, tendo sido a primeira indústria a fabricar motores para aviões em toda a América Latina. A Igreja encontra-se interditada por apresentar problemas na estrutura.

(Pesquisa e texto organizados por Lilian Costa dos Santos para o Núcleo de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, em setembro de 2005)

FONTES CONSULTADAS:
Livros
- Cidade de Duque de Caxias (José Lustosa, publicação independente, 1958)
- Esboço Histórico Geográfico do Município de Duque de Caxias (Dalva Lazaroni de Moraes, Arsgráfica Editora, 1978)
- Baixada Fluminense – A Construção de uma História (Organizado por Gênesis Torres, IPAHB Editora, 2004)
- Pelos Caminhos que a História Deixou (Stélio Lacerda e Rogério Torres, publicação independente, 2004)
Revistas
- Revista da Cultura Caxiense (Secretaria Municipal de Cultura de Duque de Caxias, Edições nº 2, 5, 6, 7 e 8)
- Revista Pilares da História (Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias e Associação dos Amigos do Instituto Histórico, Edições nº 1 e 5, e 9 (prelo)
Jornais
- Jornal do Folclore (Edição nº 10)
- O Municipal (Coluna Pedaços da Nossa História, Alberto Marques e Josué Cardoso)
Entidades
- Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias
- Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciência Sociais da Baixada Fluminense
(IPAHB)